.........Não
sabemos, nem nunca saberemos, se um visitante acredita em tudo que vê
na cidade. Sua realidade é bem distante da realidade de quem
nela vive. Esta mesma relação pode ser aplicada a quem
visita esta mostra ou qualquer outra onde a percepção
do artista é exposta.
.........A Cara do Rio completa sua 6ª
edição no Centro Cultural Correios - RJ, e conta este
ano com a participação de 115 artistas. Cento e quinze
ângulos, propostas e indagações tendo a cidade do
Rio de Janeiro como ponto de chegada e partida. Caminhada em círculos
- é verdade - , mas ao completarmos uma volta e reiniciarmos
a outra, percebemos claramente as mudanças físicas que
atos e até mesmo a falta deles, gera em toda a cidade. São
forças que podem ser estudadas e transformadas pela Arte.
.........Nas sete edições
foram geradas mais de 490 obras de 228 artistas. Estas imagens ajudam
a contar parte de pequenas histórias acessíveis no www.acaradorio.art.br.
Este é um mapeamento que não chega a ser completo, muito
menos esgotado pela constante transformação material e
imaterial de um organismo vivo e complexo como uma cidade. Argamassa
e progresso, memórias e seres em incansável movimento.
Algumas alterações são palpáveis, outras
sequer percebidas.
.........Em qualquer cidade, o tempo e
o espaço não são contados, muito menos construídos
apenas por seus habitantes. Devemos sempre levar em consideração
forças, olhares e agentes externos como elementos que atuam e
se multiplicam neste processo. John Ruskin escreveu: "As grandes
nações registram sua autobiografia em três volumes:
o livro de suas ações, o livro de suas palavras e o livro
de sua Arte. Nenhum desses três livros pode ser compreendido sem
que se tenha lido os outros dois, mas desses três, o único
em que se pode confiar é o último".
.........Será o pão-de-açúcar
eterno?
.........No decorrer destes anos alguns
companheiros partiram: Carlos Pontual, Maria Eugênia Sampaio,
Frank Schaeffer, Déa Junqueira e Aloysio Novis. Este ano, às
vésperas desta mostra perdemos outra companheira: Doralice Araújo.
Esperamos que estejam bem onde estiverem - acreditar ou não -
a eles nossas homenagens pois o que importa é o sentido ou sentimento
de felicidade.
Marcelo
Frazão
Rio, janeiro de 2010